
Projeto estrutural
Da Antiguidade à atualidade, prédios icônicos ou pequenas e simples construções: no início de todas elas há um projeto estrutural garantindo que aquela estrutura é sólida e resistirá ao tempo. Etapa fundamental de empreendimentos de Engenharia, o projeto estrutural consome uma fração muito pequena do custo total de uma obra. Contudo, o valor nele investido é inversamente proporcional à sua importância: é ele quem garante todo o retorno do empreendimento, seja ele financeiro ou de qualidade de vida.
É graças a projetistas estruturais competentes que verdadeiras obras de arte são expostas nas ruas. O que os arquitetos imaginam ganha materialidade depois da execução de um projeto estrutural bem feito.
E já que estamos falando deles, aqui em Belo Horizonte vimos despertar um dos maiores de todos os tempos. Antes de projetar Brasília com Lúcio Costa, Oscar Niemeyer fez da região da Pampulha seu primeiro grande projeto. Idealizado e desenhado pelo arquiteto, o conjunto formado pela Igreja São Francisco de Assis, o Museu de Arte da Pampulha, a Casa do Baile, o Iate Tênis Clube e a Casa Kubitschek só se transformou em realidade graças aos projetos estruturais do engenheiro Joaquim Cardoso.
O projeto estrutural materializa-se num conjunto de documentos. Além de reunir um arrazoado de informações, eles representam um grande volume de trabalho que começa muito antes do primeiro cálculo ser feito.

Função e conceitos
O projeto estrutural é etapa fundamental - e fundante - de uma obra. Sua função primária é comprovar que uma edificação é segura e durável. Essas duas informações estão sintetizadas nos dois conceitos mais importantes de um projeto estrutural: Estado Limite de Serviço e o Estado Limite Último.
O Estado Limite de Serviço atesta a durabilidade da construção. Ele informa o limite a partir do qual aquela edificação terá sua funcionalidade prejudicada, afetando sua utilização e sua durabilidade. Na prática, quando o Estado Limite de Serviço de uma construção é atingido, são constatados sinais que indicam patologias estruturais: deslocamentos de estruturas acima de limites preestabelecidos, fissuras e outras falhas.
Já o Estado Limite Último comprova a segurança da construção. Tecnicamente falando, ele define o estado crítico - ou limite - no qual a edificação não mais satisfaz os critérios de desempenho que garantem a segurança dos seus usuários e do entorno. Cruzado o Estado Limite Último, há real risco de colapso ou ruína da construção.
Para encontrar esses indicadores, o projeto estrutural leva em conta uma enorme quantidade de variáveis para fazer os cálculos estruturais. A depender da edificação que será construída, será preciso levar em consideração fatores específicos daquela realidade. Contudo, de maneira geral, os cálculos estruturais necessariamente levam em consideração três grandes grupos de variáveis:
- Solo → Resistência, profundidade do lençol freático, característica das rochas
- Peso → Tanto o da própria construção quanto o das pessoas e elementos que ocuparão a edificação
- Agentes externos → Ventos, chuvas, umidade, maresia e outras intempéries
Projeto estrutural: composição e normas
Conforme já dissemos, o projeto estrutural é a representação de muito trabalho. Este se inicia antes do projeto propriamente dito, na etapa de pré-projeto.
Em linhas gerais, podemos dividir a atividade de desenvolvimento de projetos estruturais em cinco etapas:
- Pré-projeto → envolve o levantamento de informações de diversas ordens: normas técnicas aplicáveis, critérios de desempenho, entre outros.
- Projeto conceitual → para conceber o projeto estrutural, é necessário que o arquitetônico esteja pelo menos em desenvolvimento. Com ele em mãos, o projetista estrutural vai definir e consolidar todas as informações necessárias, com o objetivo de verificar a viabilidade física e econômica da construção.
- Projeto básico → é a etapa de levantamento de dados e estudo de viabilidade. Nesta fase procede-se com a análise do terreno e dos materiais a serem utilizados, sempre levando em consideração os agentes externos.
- Projeto executivo ou detalhado → é o projeto estrutural propriamente dito. Nesta etapa são realizados e detalhados os cálculos de todas as estruturas da futura edificação, permitindo que o projeto seja executado. É também nesta etapa que são concluídos, da forma mais aproximada possível, os custos da estruturação da construção.
- Entrega e revisão → apresentação do projeto estrutural e revisão do mesmo juntamente com o engenheiro que irá acompanhar a obra. Esta etapa é fundamental para alinhar o entendimento entre o engenheiro responsável pelos cálculos estruturais e o que irá acompanhar e supervisionar a execução da obra.
Por se tratar de uma atividade fundamental de qualquer edificação - e a que está mais diretamente ligada à preservação da vida e integridade física das pessoas -, a execução de projetos estruturais é altamente regulamentada. A Lei Federal nº 6.496, de dezembro de 1977, é a principal legislação que regula projetos estruturais. Ela institui a Anotação de Responsabilidade Técnica - famosa pela sua sigla, ART - na prestação dos serviços de engenharia, arquitetura e agronomia. A ART é composta por uma série de informações e documentos, inclusive o projeto estrutural da construção.
Para além da normatização legal, os projetos estruturais são tecnicamente regulados pela Associação Brasileira de Normas Técnicas, a ABNT. Há uma série de normativos que regulam toda a atividade. As principais são as NBR 6118, 6120, 6122, 6123, 8800, 14762 e 15575.
Nunca é demais lembrar que projetos estruturais representam um percentual muito pequeno do custo total do empreendimento e, ao mesmo tempo, são os que garantem a vida e a integridade das pessoas e equipamentos que estarão na edificação. Sendo assim, procure uma empresa que seja rigorosa no cumprimento dos padrões e normativos, além de ser capaz de calcular estruturas em diferentes cenários. Clique aqui para entrar em contato!
